Sobreviventes da ‘Little Boy’, a bomba de Hiroshima

A sensação de estar sob um ataque nuclear

Nós já nos acostumamos a ver imagens de explosões atômicas. De longe, elas são até bonitas. Mas quando uma acontece perto de você, aquela luz imaculada queima a sua pele e faz você sangrar espontaneamente. Há exatos 65 anos, foi assim que eu me senti.

Em 6 de agosto de 1945, o bombardeiro B-29 Enola Gay decolou da base aérea North Field em Tinian, no Pacífico Oeste. Às 8:15, o comandante do 509º Grupo Aéreo, Paul Tibbets, chegava ao seu destino: Hiroshima. Trinta minutos antes disso, o Segundo Tenente Morri Jeppson havia removido todos os dispositivos de segurança do “Little Boy”, uma bomba atômica carregada com 60 quilos de urânio-235 – a primeira a ser detonada sobre qualquer população no planeta. Este é o relato da experiência daquela população, quase dez quilômetros abaixo.

Hiroshima, Japão,
a 90 metros do hipocentro da explosão do “Little Boy”

Akiko Takakura
Idade no dia do impacto: 20 anos
Uma das raras sobreviventes tão próximas do hipocentro

TAKAKURA: Depois do ataque aéreo, o alarme foi encerrado, e eu caminhei de Hatchobori até o banco de Hiroshima em Kamiya-cho. Eu cheguei ao banco perto das 8:15 e assinei meu nome no livro de registros. Quando estava na minha rotina matinal, tirando pó das mesas e coisas assim, a bomba foi lançada. Tudo que eu lembro é de ter visto uma súbita luz.

ENTREVISTADOR: Você pode explicar melhor a luz?

TAKAKURA: Bem, foi como um flash de magnésio. Eu perdi a consciência logo depois de ter visto a luz, ou talvez ao mesmo tempo. Quando voltei à consciência, estava no escuro. Eu ouvi a minha amiga, a senhorita Asami, chorando pela mãe dela. Logo depois eu descobri que havíamos sido atacados. Com medo de um possível incêndio, eu disse à senhorita Asami para correr para fora do prédio. Ela, no entanto, apenas me disse para deixá-la ali e tentar fugir sozinha, já que ela não achava que conseguiria ir a lugar algum. Eu disse que não podia fazer isso, deixá-la lá, mas ela respondeu que não conseguiria nem ficar de pé. Enquanto falávamos, o céu foi ficando mais claro.

Então eu ouvi água correndo no lavatório. Aparentemente os canos haviam explodido. Eu peguei água com o meu capacete e derramei sobre a cabeça dela várias vezes até que ela recuperasse completamente a consciência e conseguisse sair do prédio comigo. Nós primeiro pensamos em fugir para os campos de desfile, mas não conseguimos, pois havia uma enorme parede de fogo à nossa frente. Em vez disso, nós nos abaixamos na rua, perto de uma poça de água para combater incêndios que era mais ou menos do tamanho desta mesa.

Já que Hiroshima foi completamente tomada pelo fogo, nós sentíamos um calor terrível e não conseguíamos respirar. Depois de um tempo, um redemoinho de fogo se aproximou de nós pelo sul. Era como um grande tornado de fogo se espalhando por toda a largura da rua. Onde e quando o fogo encostava em algo, aquilo queimava. Eu queimei minha orelha e minha pernas, mas nem notei no momento. Fui notar apenas mais tarde.

ENTREVISTADOR: Então o fogo veio contra vocês?

TAKAKURA: Sim. O redemoinho de fogo que cobria a rua inteira se aproximou de nós a partir de Ote-machi. Todo mundo só tentava fugir do fogo. Era como o inferno. Depois de um tempo, começou a chover. O fogo e a fumaça nos deixaram com muita sede, e não havia nada para beber, não tinha água, nada. E a fumaça fazia mal aos nossos olhos. Quando a chuva começou, algumas pessoas abriam a boca e olhavam para o céu para tentar beber a chuva, mas não era fácil pegar as gotas. Era uma chuva negra com gotas grandes.

ENTREVISTADOR: O quão grande eram as gotas?

TAKAKURA: Eram tão grandes que doíam se acertassem na gente. Nós abrimos as bocas assim, o máximo que conseguíamos, num esforço para matar a sede. Todo mundo fez a mesma coisa. Mas não era suficiente. Alguém… alguém achou uma lata vazia e usou para pegar água da chuva.

ENTREVISTADOR: Entendi. E a chuva negra, acabou com a sede de vocês?

TAKAKURA: Não. Talvez eu não tenha conseguido pegar chuva o suficiente para beber, mas eu ainda me sentia com muita sede e sem poder fazer nada a respeito. O que eu senti naquele momento era que Hiroshima só tinha três cores. Eu lembro de vermelho, preto e marrom, mas nada, nada mais. Muitas pessoas na rua foram mortas instantaneamente. As pontas dos dedos destas pessoas pegavam fogo e então o corpo inteiro ia queimando gradualmente.

Um líquido cinza claro escorria das mãos pelos dedos. Eu… eu fiquei tão chocada de saber que dedos e corpos podiam ser queimados e deformados daquele jeito. Eu não conseguia acreditar, era muito horrível. E eu olhava e o que era mais doloroso de pensar era que aquelas mãos e dedos segurariam bebês, virariam páginas de livros, mas agora estavam ali, queimando daquele jeito.

500 metros do hipocentro

Taeko Teramae
Idade no dia do impacto: 15 anos

TERAMAE: Quando a bomba caiu, eu tinha quinze anos. Estudava na terceira série do ensino médio da escola de meninas. Eu vi algo brilhando no céu azul claro. Queria saber o que era, então fiquei olhando. A luz crescia, e à mesma medida a coisa brilhante crescia também.

No momento que falei com uma amiga, houve um clarão, muito mais brilhante que qualquer flash usado em câmeras. Explodiu bem na frente dos meus olhos. Houve um tremendo barulho quando todas as construções ao meu redor desabaram. Eu também ouvia pessoas chorando e gritando por socorro e pelas suas mães. Eu fiquei presa debaixo de algo.

Fiquei em choque e não acreditava no que tinha acontecido. Eu pensei que estivesse em algum pesadelo, mas é claro que eu não estava. Eu senti dor quando me belisquei para ver se era real. Eu achei que a bomba havia sido lançada na central telefônica. A poeira subia e algo arenoso e pegajoso caiu na minha boca. Eu não consegui saber o que era, já que eu não podia me mexer nem enxergar. Não dava para ver nada no escuro.

Um pouco depois, senti cheiro de algo como enxofre. Cheirava como o vulcão, Mt. Aso, e eu vomitei. Ouvia mais vozes gritando e chorando, “Mãe! Mãe!”, mas quando o nosso professor, o Sr. Makita, disse para que nos comportássemos como boas alunas e parássemos de chorar, todo o choro e as lamentações maternas pararam subitamente.

1000 metros do hipocentro

Hiroko Fukada
Idade no dia do impacto: 18 anos

ENTREVISTADOR: Qual era a cor da luz?

FUKADA: Eu lembro que era amarela. Eu lembro claramente, e apesar da chuva de estilhaços de vidro, eu felizmente não sofri nenhum ferimento grave. Eu vi o prédio à frente e fiquei totalmente sem esperança, mas saí do prédio em que estava pois pensei que seria perigoso ficar dentro. Logo vi soldados caminhando nesta direção. Eu estava com meus amigos e nós achamos que seria seguro ir com os soldados, então nós viemos para cá.

ENTREVISTADOR: Quais eram as condições fora do prédio?

FUKADA: Todos estavam muito, muito feridos. Nós ficamos até com vergonha por não estarmos tão machucados. Não tenho palavras pra descrever a cena. Uma inundação de pessoas veio descendo aquele barranco como dominós caindo um depois do outro.

Mamoru Yukihiro
Idade no dia do impacto: 36 anos

ENTREVISTADOR: Como foi quando você viu o raio?

YUKIHIRO: Imediatamente depois que eu vi o estranho raio amarelo, o escritório foi completamente destruído em um instante, sem aviso. Como se uma caixa de fósforos tivesse sido atingida por um martelo e feita em pedacinhos. Eu nem conseguia ouvir nenhum som. Sentei parado por um tempo, depois vi um raio de sol entrar pelo teto. Aí consegui levantar, mas não consegui encontrar nenhum dos outros 200 empregados. Mesmo com três ferimentos na minha cabeça e um nas minhas costas, eu fiquei tão surpreso que consegui caminhar até a rua, com sangue escorrendo pelo corpo. Na rua, tudo que eu encontrei foram pessoas feridas e casas destruídas.

1.190 metros do hipocentro

Akira Onogi
Idade no dia do impacto: 16 anos

ONOGI: Eu estava no segundo ano do ensino fundamental, e a minha turma estava em um passeio de campo na fábrica da Mitsubichi em Eba. No dia do impacto, calhou de eu estar de folga em casa. Estava deitado no chão, lendo com um amigo. Por debaixo das folhas eu vi um clarão de luz azul, como uma faísca feita por um trem, ou algum curto-circuito. Depois disso, uma explosão entrou pela janela.

ENTREVISTADOR: De que direção?

ONOGI: Bem, eu não lembro. Quando a explosão chegou, eu e o meu amigo fomos jogados para outro cômodo. Eu fiquei inconsciente por um tempo e quando voltei a mim, estava no escuro. Pensando que a minha casa havia sido diretamente atingida por uma bomba, eu removi com as mãos a terra e os pedaços de telhado que me cobriam e, pela primeira vez, vi o céu. Consegui chegar a uma área aberta e olhei ao redor, pensando em onde a minha família poderia estar. Aí vi que todas as casas, até onde a vista alcançava, estavam desabadas.

ENTREVISTADOR: Todas as casas?

ONOGI: Sim. E eu não conseguia ver ninguém ao meu redor, mas ouvi alguém gritando por socorro em algum lugar. Acabei descobrindo que os gritos vinham debaixo de onde eu estava pisando. Já que não havia escolha, eu simplesmente cavei telhados e terra com as mãos para ajudar a minha família; minha mãe, minhas três irmãs e a filha de uma das minhas irmãs.

Então eu olhei para a porta dos vizinhos e vi o pai da família vizinha de pé, quase nu. Sua pele estava descascando pelo corpo todo, pendurada pelos dedos. Eu conversei com ele, mas ele estava muito exausto para me responder. Ele estava procurando desesperadamente pela sua família. A pessoa nessa foto era um dos nossos vizinhos. Eu acho que o nome da família era Matsumoto.

Quando estávamos fugindo pela lateral de uma ponte, encontramos uma garotinha chorando, e ela pediu para que nós ajudássemos a sua mãe. Ao lado da menina, a mulher estava presa por uma viga caída sobre as suas pernas. Junto com os vizinhos, nós tentamos com muita força remover a viga, mas era impossível sem ferramentas.

Finalmente um incêndio começou nos arredores, colocando-nos em perigo. Não tivemos escolha além de deixá-la. Ela estava consciente, e nós nos desculpamos longamente, fazendo reverência com as mãos juntas. Cerca de uma hora depois, começou a chover pesado. Grandes pingos de chuva pretos. Eu estava vestindo uma bermuda e camiseta de manga curta, estava congelando. Todo mundo estava tremendo. Nós tivemos que nos esquentar ao redor de um foco de incêndio, em pleno verão.

ENTREVISTADOR: Você quer dizer que a chuva não apagou o fogo?

ONOGI: Isso mesmo. O fogo não se apagou mesmo. O que me impressionou profundamente foi um garoto de 5 ou 6 anos com a sua perna direita cortada na coxa. Ele estava saltitando na perna esquerda para cruzar a ponte. Ainda consigo lembrar com muita clareza desta cena. A água do rio hoje é clara e limpa, mas no dia do impacto todas as casas ao longo do rio foram destruídas pela explosão, e os seus pilares, vigas e pedaços de mobília todos boiavam nas águas ou se penduravam nas pontes.

O rio também estava cheio de corpos de pessoas atiradas à distância pela explosão, além de sobreviventes que vieram em busca de água. Não dava para ver a superfície da água, em resumo. Muitos feridos com pele descascando choravam por socorro. Obviamente eles olhavam para nós, de modo que mal podíamos nos virar para o rio.

ENTREVISTADOR: Não era possível ajudá-los?

ONOGI: Não, havia muitas delas. Nós cuidamos das pessoas mais próximas de nós usando as roupas dos mortos como ataduras, especialmente para aqueles que estavam mais seriamente feridos. Neste ponto nós já estávamos quase insensíveis a todas estas coisas terríveis. Depois de um tempo, o fogo chegou à margem do rio e nós decidimos cruzá-lo por sobre uma ponte ferroviária, seguindo na direção dos trilhos.

As casas em ambos os lados da ferrovia estavam queimando, de modo que a ferrovia era como uma clareira em meio ao fogo. Eu achava que morreria ali. Foi uma experiência horrível. Sabe, por dez anos depois do bombardeio eu sempre me senti paralizado ao ver faíscas de trens ou raios. Mesmo em casa, eu não sentava perto de janela por me lembrar de tantas pessoas gravemente feridas por cacos de vidro. Por dez anos, sempre procurei sentar de costas para a parede. Era como um instinto de autopreservação.

1.400 metros do hipocentro

Akihiro Takahashi
Idade no dia do impacto: 14 anos

TAKAHASHI: Nós estávamos prestes a entrar em fila no pátio da Escola Municipal de Ensino Médio de Hiroshima naquele ponto. A posição do prédio da escola não era muito diferente da atual, e a plataforma também não estava posicionada. Nós estávamos prestes a formar filas de frente para a saída quando vimos um B-29 se aproximando e voando sobre nós. Todos estávamos olhando para o céu e apontando.

Então os professores saíram do prédio da escola e os líderes de classe deram o comando de entrar em fila. Todos paramos de olhar para o céu e passamos a olhar para a plataforma à frente. Este foi o momento da explosão. E então veio o barulho imenso e nós fomos deixados no escuro. Eu não conseguia ver nada no momento da explosão.

Nós havíamos sido jogados longe pela explosão. É claro, eu não percebi isso até que a escuridão desaparecesse, mas fui jogado a dez metros de distância. Meus amigos estavam todos jogados no chão. Tudo no meu campo de visão havia desabado. Eu senti que a cidade de Hiroshima havia desaparecido de uma vez só. Então eu olhei para mim mesmo e vi que as minhas roupas estavam em farrapos por causa do calor. Eu estava provavelmente queimado na minha nuca, nas costas, em ambos os braços e pernas.

Minha pele estava descascando e pendurada, assim. Automaticamente eu comecei a caminhar na direção da minha casa. Depois de um tempo, notei alguém chamando o meu nome. Olhei ao redor e vi um amigo meu que estudava na mesma escola. Seu nome era Yamamoto. Ele estava gravemente queimado, como eu.

3.700 metros do hipocentro

Isao Kita
Idade no dia do impacto: 33 anos

KITA: Bem, naquela hora calhou de eu estar recebendo uma transmissão sem fio. Eu estava na sala de recepção e voltado ao norte. Notei uma luz brilhante. Não era um grande flash, mas me chamou atenção mesmo assim. Alguns segundos depois, veio a onda de calor.

Depois que eu notei o brilho, nuvens brancas se espalharam pelo céu azul. Foi incrível. Como se uma flor gigante desabrochasse no céu. Eu achei engraçado. E aí veio a onda de calor. Muito, muito quente. Mesmo com a janela de vidro à minha frente, fiquei com muito calor. Era como colocar a cara na frente de um forno. Eu não conseguiria aguentar aquele calor por muito tempo. Então aconteceram os barulhos. Não sei o que fazia aquele som, mas era provavelmente o ar se expandindo por causa do calor.

Neste momento eu já havia percebido que uma bomba havia sido lançada. Como havia sido instruído, eu empurrei a cadeira para o lado e deitei com o rosto no chão. Também de acordo com as exercícios de emergência, eu cobri meus olhos e ouvidos com as mãos, desse jeito.

E comecei a contar. Você pode achar insensibilidade da minha parte ter começado a contar num momento como este. Mas para nós, que observamos o clima, é parte do trabalho observar o processo do tempo de vários fenômenos. Então eu comecei a contar o tempo a partir do clarão de luz. Quando contei cinco segundos, ouvi o som estrondoso. Ao mesmo tempo, o vidro da janela estourou e o prédio tremeu com a explosão. Então a explosão atingiu o lugar cinco segundos depois do impacto.

Nós depois medimos a distância entre o hipocentro e a nossa estação. E com estes dois números, nós calculamos que a velocidade da explosão foi de cerca de 700 metros por segundo. A velocidade do som é de cerca de 330 metros por segundo, o que significa que a velocidade da explosão foi cerca de duas vezes maior que a do som.

4.088 metros do hipocentro

Hiroshi Sawachika
Idade no dia do impacto: 28 anos

SAWACHIKA: Eu estava em meu escritório. Havia acabado de entrar na sala e desejar bom dia aos colegas e estava prestes a chegar à minha mesa quando o céu no lado de fora ficou vermelho. Eu senti calor no rosto. Eu era o chefe daquele departamento, então gritei para que os jovens e as mulheres evacuassem a sala. Assim que gritei, me senti leve como um astronauta.

Fiquei então inconsciente por 20 ou 30 segundos. Quando voltei a mim, me dei conta que todos, inclusive eu, estavam deitados no mesmo lado da sala. Ninguém estava de pé. As cadeiras e mesas também foram jogadas para este lado da sala. Nas janelas, não havia mais vidro, e as estruturas também haviam sido arrancadas. Fui à janela para ver onde a bomba havia caído.

Então eu vi a nuvem em forma de cogumelo sobre a campanhia de gás.

O som e o choque, por algum motivo, me fizeram acreditar que a bomba havia caído bem sobre a companhia de gás. Eu ainda não fazia ideia do que tinha acontecido de verdade, e fiquei olhando na direção da companhia de gás. Depois de um tempo, percebi que a minha camisa branca estava toda vermelha. Achei engraçado, pois eu não estava ferido. Mas olhei ao redor e que a mulher que estava deitada ao meu lado estava gravemente ferida, com muitos pedaços de vidro quebrado cravados por todo o corpo. Seu sangue havia espirrado e feito manchas na minha camisa.

Via Gizmodo

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